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Projeto de estudantes do IFPE resgata poesia popular de Belo Jardim

Poesias de cantores populares analfabetos estão sendo gravadas e transcritas para criação de cordel
por publicado: 20/11/2017 15h14 última modificação: 20/11/2017 15h14

Genivaldo Dionísio, 58 anos, e Valdemir Barbosa, o Valdé, 60 anos, são poetas populares da comunidade de Santa Luzia, em Belo Jardim. Juntos com o tocador de cavaco Antônio Ferreira, o Gasolina, 70 anos, formam um trio de cantadores que há mais de 30 anos anima as festas da comunidade rural que já foi conhecida como Volta do Rio. Com poesias autorais bem humoradas que falam sobre o cotidiano da vida no campo, muitas vezes flertando com o improviso, a arte deles, apesar da qualidade e consistência, corre um sério risco de extinção: os três cantadores são analfabetos, e não existe qualquer registro escrito sobre a suas obras.

Essa história começou a mudar há cinco meses, quando o professor de espanhol do IFPE Campus Belo Jardim, André Luiz Gonçalves, levou uma turma de alunos para conhecer o Memorial Frei Damião, que fica na comunidade de Santa Luzia. Durante a visita, aconteceu uma apresentação do trio que deixou todos os visitantes encantados. Ao saber que os cantadores eram analfabetos, André Luiz, juntamente com as estudantes monitoras de sua disciplina, Anne Karolyne Monteiro e Ayanne Maria Rodrigues, decidiram fazer um trabalho de resgate visando manter a arte dos poetas para a posteridade, através do registro e transcrição de suas obras.

Criado o projeto, as estudantes passaram a se reunir mensalmente com o trio de cantadores em sua própria comunidade, e um novo horizonte artístico se abriu na vida delas. "Está sendo incrível. Eles ficam super felizes em nos receber e nós aprendemos muito a cada encontro. Toda reunião é uma festa!", conta Anne Karolyne. "Estamos impressionadas com a qualidades deles e isso tem nos ajudado a valorizar cada vez mais a cultura local", relata Ayanne.

Para Genivaldo Dionísio, que além de poeta é também um dos membros da centenária Associação dos Bacamarteiros de Santa Luzia, o projeto das estudantes é motivo de orgulho para o trio. "Não dá nem para falar sobre o tamanho da felicidade que sentimos durante esses encontros. É muito bom se apresentar para essa geração mais nova e ainda por cima saber que nossos versos ficarão registrados para sempre", disse o poeta, que ainda por cima brindou a equipe com um tiro do seu famoso bacamarte.

Segundo as estudantes, todas as poesias serão gravadas e transcritas até o final do ano, e nos primeiros meses de 2018 será criado um cordel com a obra dos cantadores, que será distribuído por toda a região de Belo Jardim. "Não vamos deixar a poesia popular de nossa região morrer", promete Anne Karolyne.

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