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Docente do IFPE destaca a importância da formação de um profissional crítico

Estudos sobre o histórico de lutas e reivindicações dos trabalhadores podem, para professor, contribuir na preparação de um profissional mais consciente com relação aos seus direitos
por publicado: 06/01/2017 11h46 última modificação: 06/01/2017 16h26

“A formação não somente de profissionais, mas de cidadãos, com visão de mundo mais ampla para se inserir na sociedade de maneira ativa, com condições de questionar e ser, efetivamente, agente de mudanças”. A ponderação do professor de História do Campus Recife Júlio César Barros reflete o que pode ser a principal contribuição, para os estudantes da Instituição, do trabalho desenvolvido por ele dentro do grupo de pesquisa “História, Trabalho e Cultura”, formado também por alunos. O docente dedica-se ao estudo voltado ao histórico de lutas e reivindicações dos trabalhadores em Pernambuco, bagagem importante entre os jovens interessados em ingressar no mercado de trabalho.

Na sua dissertação de mestrado, selecionada, inclusive, para publicação, Júlio César se debruçou sobre os conflitos e negociações dos trabalhadores no Estado no período imediatamente anterior à Ditadura Militar, no caso, 1963 a 1964. Fez um levantamento das reivindicações, das categorias e seus respectivos objetivos naquele período. Identificou que, no início dos anos 1960, deu-se uma maior organização por parte dos trabalhadores rurais, algo que já era observado na cidade. Essa categoria conquista espaço para fazer ouvir os seus anseios também e cobrar a efetivação dos direitos, configurando-se como a classe, em Pernambuco, que mais reivindicou no período de 1963 a 1964.

Os trabalhadores rurais pressionam o governo, à época exercido por Miguel Arraes, e passam a atuar como agentes políticos, implicando na realização de greves, passeatas, comícios por todo o Estado. “Pela primeira vez, por exemplo, trabalhadores rurais ganharam visibilidade nos meios de comunicação e tiveram suas demandas expostas”, comenta o professor, que para concretizar a dissertação pesquisou arquivos de governo, jornais da época e realizou entrevistas com trabalhadores e funcionários que vivenciaram o momento.   

Os estudos de Júlio César no grupo de investigação científica do campus, dentro do qual orienta uma aluna, representam um desdobramento de seus achados com a dissertação. O foco recai, então, sobre o período de 1945 a 1950, quando a categoria que mais reivindicava era a de estudantes. “O legado dessa pesquisa para a Instituição é possibilitar ao discente ir contextualizado para o mercado de trabalho, consciente com relação ao histórico de lutas dos trabalhadores. Conhecer os direitos não implica que eles sejam aplicados. Conhecer significa lutar para que eles possam ser aplicados. Para que a Lei não seja ‘letra morta’, é preciso fiscalizar”, defende o professor Júlio.

O grupo – Além do professor Júlio César Barros, responsável por orientar, na iniciação científica, a aluna Anna Luiza Viana, do 5º período de Eletrotécnica, fazem parte do grupo de pesquisa “História, Trabalho e Cultura”, criado em 2015, outros três docentes do Campus Recife e um do Campus Caruaru. Conta ainda com a participação de outros quatro estudantes do Integrado.