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Mulheres discutem o combate ao machismo no ambiente educacional

Debate abriu a programação especial do mês de março, que será voltada a discussões sobre gênero, desigualdade de oportunidades, direitos e representação das mulheres
por publicado: 09/03/2018 16h23 última modificação: 12/03/2018 14h33

No Dia Internacional da Mulher, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) abriu a programação especial do mês de março com um debate sobre o tema “Volta às aulas sem machismo”. Com a participação de estudantes e servidores (as) , a atividade foi realizada no auditório do Campus Recife, com transmissão ao vivo para todos os campi.A mesa foi mediada pela assistente social Adiliane Batista e teve como debatedoras a reitora Anália Ribeiro, a Diretora de Políticas Institucionais do Campus Recife, Carol Belo, a estudante trans Nayanne Silva e a psicóloga da 1ª Vara de Violência Contra a Mulher, Santana Maria Silva.

A reitora Anália Ribeiro introduziu a temática pontuando a necessidade de se combater o machismo no ambiente educacional. Um primeiro passo, segundo ela, é desfazer a ideia de que determinados espaços e carreiras devem ser reservados apenas aos homens. “O primeiro enfrentamento que se tem que fazer é à ideia de que determinadas áreas são destinadas a homens. Temos cursos em que mais de 80% dos alunos são do sexo masculino e isso reflete a destinação de alguns papeis sociais e traz implícita uma mensagem de que aquele lugar não é para mulher”, analisa. 

Debate - "Volta às aulas sem machismo"

Em seguida, a reitora também frisou a necessidade de se combater ao mesmotempo a visão de que a mulher pertence ao espaço doméstico e ao ambiente familiar, heranças, segundo ela, da perspectiva patriarcal. “Existe uma espécie de muro velado - na Psicologia Social, chamamos de “teto de vidro” -  que impõe a mulher certos limites. Relações afetivas e familiares, por exemplo, não podem ser um interdito ao acesso da mulher a outros lugares”, defendeu.

De acordo com Anália, os atores envolvidos no ambiente educacional precisam estar atento a essas questões. “A vivência escolar pede que nós estejamos sempre atentos não só a esses grandes processos, mas também aos micro-machismos incutidos na cabeça de cada um. Precisamos repensar nossas práticas diariamente para permitir que micro-revoluções cotidianas aconteçam e transformem esse cenário”, destacou.

Debate - "Volta às aulas sem machismo"Já estudante a Nayanne Silva contou um pouco da sua trajetória estudantil e da discriminação já sofrida dentro e fora da sala de aula. Todos os episódios, segundo ela, tiveram como base o machismo”.  “Tenho na minha bagagem várias experiências desagradáveis e acho que o mais importante é estarmos sempre prontos para estender a mão para o outro, independente de gênero, cor, religião ou qualquer outra coisa, especialmente na sala de aula. Uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida foi ter chegado no IFPE e ter me sentido acolhida”, relatou.

A Diretora de Políticas Institucionais do Campus Recife e professora de espanhol, Carol Belo, enfatizou a necessidade de se levar discussões sobre o machismo e outros temas importantes para a sala de aula, independente da disciplina trabalhada pelo professor. “É fundamenta fortalecer essas discussões e levar esses temas de formação cidadã para a sala de aula. Volta às aulas sem machismo é uma causa a ser abraçada por todos nós, professores, gestores, estudantes, funcionários terceirizados, homens e mulheres”, afirmou.

PROJETO

Debate - "Volta às aulas sem machismo"Convidada para a mesa, a psicóloga da 1ª Vara de Violência Contra a Mulher da Capital, Santana Maria Silva apresentou o projeto “Ressignificando”, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) . A iniciativa trabalha com homens que cumprem penas alternativas devido ao enquadramento na Lei Maria da Penha e tem como objetivo desconstruir a naturalização da violência doméstica e de manifestações de machismo.

“Quando falamos do ciclo de violência contra a mulher, estamos nos referindo a essa cultura em que o homem vê a mulher como sua propriedade ou objeto de prazer. Às vezes isso não cessa só com a medida punitiva. Para que essa relação mude é preciso transformar também a percepção do homem, com um trabalho de conscientização, educação e desconstrução”, afirmou.

Ao final das exposições, estudantes e servidores tiveram a oportunidade de dirigir questionamentos às participantes da mesa ou fazer novas considerações sobre o tema. O debate foi o primeiro evento da programação especial do mês de março. A cada semana terão atividades voltadas a discussão sobe temas relativos à desigualdade de oportunidades, luta por direitos e representação das mulheres na sociedade.

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