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Estudante investiga relação de arboviroses com degradação hídrica

Pesquisa de Nicole Bezerra (Segurança do Trabalho) foi publicada na revista Caminhos de Geografia.
publicado: 09/12/2019 12h11 última modificação: 10/12/2019 11h19

Com a orientação da professora Fátima Verônica, a estudante do curso técnico em Segurança do Trabalho (8º período/integrado) Nicole Bezerra avaliou a ocorrência de doenças de veiculação hídrica e a relação com a degradação das águas superficiais, em Caruaru. A pesquisa mostrou que a deterioração dos mananciais na cidade está ligada a ocupação irregular da terra e ao saneamento básico inadequado, processos inerentes ao crescimento urbano desordenado, impulsionando a ocorrência de arboviroses. O trabalho de Nicole foi publicado em formato de artigo na edição mais recente da revista Caminhos de Geografia, que possui Qualis A2. 

Nicole foi bolsista do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) durante dois semestres, o que equivale a metade do tempo de sua pesquisa. “Eu já tinha interesse em aprender mais sobre o assunto, mas a bolsa incentivou e oficializou o trabalho. A pesquisa científica é algo muito importante para o país, ela ajuda a identificar problemas de interesse da sociedade e a propor soluções", comentou a discente. A pesquisa foi entregue à Secretaria de Saúde de Caruaru. 

“Fazer pesquisa num curso integrado é uma experiência de muito aprendizado. Com menos de 18 anos de idade, não imaginava ter um trabalho publicado numa revista de Qualis A2. Eu diria que saio daqui preparada para a Universidade. Graças a esse trabalho notei que quero seguir na pesquisa científica. Farei vestibular para Medicina e pretendo trabalhar pesquisando infectologia”, afirmou. 

A PESQUISA

Tudo começou em 2016. “A ideia era estudar um lago que temos no Campus, mas como o tema era de interesse público, fui orientada a expandir a pesquisa para a cidade de Caruaru. Naquele ano houve um surto de arboviroses no município, então resolvemos direcionar o estudo para a dengue, chikungunya e diarreia”, explicou a discente. 

O trabalho usou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Secretaria Municipal de Saúde e considerou os rios Capibaribe e Ipojuca. Nesses rios foi identificada a existência de assoreamento, áreas de preservação permanente sem a mata ciliar e com edificações, erosão, resíduos sólidos, águas fétidas, com coloração e canos de escoamento. Os setores com mais indícios de degradação foram observados próximos ou inseridos nas áreas urbanas. 

Os dados também apontaram que o bairro com a maior taxa de incidência das doenças foi o Salgado. Nicole explica na pesquisa que esse bairro é mais populoso do município, com um comércio pujante (formal e informal), ocupação desordenada, rios poluídos e resíduos nas ruas. A pesquisa também cita que alguns bairros, como o Salgado, ficam até dez dias sem abastecimento de água, obrigando a população a fazer uso do armazenamento, o que contribui para o desenvolvimento do Aedes aegypti. 

Como sugestão para combater essa situação a pesquisa indica a necessidade do tratamento básico das águas e/ou efluentes, estudos técnicos que viabilizem o funcionamento de galerias pluviais e a efetiva participação popular na gestão das cidades, além de melhoria das políticas públicas. 

Doenças de veiculação hídrica associadas à degradação dos recursos hídricos no município de Caruaru.