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O Curso

por Hugo Ferreira publicado 23/12/2015 16h52, última modificação 14/03/2017 15h37

Partindo de uma concepção de educação fundamentada no exercício da cidadania plena e, consequentemente, na necessidade de potencializarem-se as habilidades cognitivas, ideológicas, política e social que traduzam esse entendimento de maneira construtiva no âmbito desta instituição, em consonância com a legislação vigente, o curso de Licenciatura em Física do Campus Pesqueira está centrado numa formação docente que preconiza a reflexão, interação, avaliação formativa/processual/somativa, bem como ações ligadas ao Ensino, Pesquisa e Extensão.

Nesse sentido, reconhece-se que, frente a uma nova maneira de conceber a educação e formação docente, está-se diante de um desafio de pensar e discutir princípios pedagógicos que materializem esse discurso tão hegemônico, defendido e disseminado nos documentos oficiais produzidos pelo MEC (Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 1996; PNE; CNE/CP Nº1/2002, entre outros).

Vale ressaltar ainda que esse discurso, no que tange à formação para cidadania plena, não constitui uma bandeira hasteada por um sociologismo que tende a eliminar totalmente a contribuição dos atores na construção concreta do saber, tratando-o como uma produção social em si mesmo e por si mesmo, tal como propunham as teorias reprodutivistas da década de 70. Muito menos um discurso fundado no mentalismo que reduz o saber, exclusivamente, aos processos mentais (representações, crenças, imagens, processamento de informações, esquemas, entre outros).

O discurso disseminado nos documentos oficiais e na literatura por intermédio das pesquisas e autores renomados no campo da formação de professor, didática do ensino superior, bem como outros temas afins instiga à construção de um modelo de formação que valoriza a articulação entre teoria e prática ao longo de toda a formação, instaurando, sobretudo, o olhar curioso, investigativo e crítico sobre a teoria/prática enquanto cultura educacional.

Em outras palavras, ressalta-se que a aquisição do conhecimento científico é tão importante quanto a prática. Nesse panorama, o licenciando não terá o contato com a prática no final do curso e como mero aplicador de técnicas, mas ao longo de sua formação, tendo a oportunidade de, desde o início, refletir sobre ciência que justifica o seu ofício e a sua razão de produzir e socializar conhecimento, no caso, a educação.

Ressalta-se ainda que a proposição de uma formação como esta implica também novas formas de entender o que é aprender e o que é ensinar, remetendo o licenciando a um universo de ressignificações, que não estão limitadas às questões transmissivas advindas de técnicas procedimentais.

Nesse contexto sociointeracionista, o sujeito, que também é pesquisador de suas descobertas, constrói conhecimento com o outro e exercita sua práxis e autonomia na produção 24 de metodologias compatíveis com suas reflexões individuais e coletivas num processo de aprendizagem.

Afinal, a uma proposta em que há articulação da teoria à prática subjaz uma postura reflexiva durante toda a formação, reservando espaços para que o licenciando possa dialogar com a sua própria prática, com as dos colegas. Dessa forma, colabora para construção de um olhar reflexivo sobre a teoria e realidade, a partir do qual o licenciando aprende a lidar com os contextos de suas práticas e os condicionantes de sua profissão de forma problematizadora.

Tal posicionamento desconstrói a dicotomia entre a produção e execução desse saber, que separa o conhecimento científico do experiencial, tendo em vista que, conforme indicação de alguns estudos, a relação que os professores estabelecem com os saberes de formação profissional se manifesta como uma relação de exterioridade. Ou seja, as Universidades e os formadores universitários assumem tarefas de produção e legitimação dos saberes científicos e pedagógicos, ao passo que aos professores compete apropriar-se desses saberes científicos no decorrer de sua formação, como normas e elementos de sua competência profissional, competências sancionadas pela própria Universidade e pelo Estado.

Assume-se, então, uma proposta pedagógica divergente dessa dicotomia cultuada ao longo da história, ratificando o compromisso desta instituição com a formação de profissionais reflexivos, críticos e capazes de produzir realidades e exercer suas atribuições em conformidade com os princípios da cidadania.

A materialização de tais princípios pedagógicos, apresentados brevemente nesse tópico e em todo o corpo deste projeto de curso, diante de sua complexidade e desafio, exigirá de todos os sujeitos envolvidos múltiplas habilidades para lidar com procedimentos adequados, que convertam esta concepção em realidade significativa e produtiva para a sociedade.

Investir numa formação reflexiva é tarefa árdua e reconhecem-se os desafios a serem enfrentados quanto à transposição didática, desmistificação de alguns valores historicamente cultuados, resistência em produzir metodologias advindas da reflexão. No entanto, a superação de tais desafios fortalecerá os pilares que sustentam uma eficaz e produtiva formação de professor no que tange ao Ensino, Pesquisa e Extensão.