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As novas caras do IFPE

Perfil dos novos estudantes do IFPE reflete a democratização do acesso à educação pública de nível técnico e superior
por publicado: 20/04/2016 16h29 última modificação: 20/04/2016 16h29

Por Rafaela Vasconcellos
rafaela.vasconcellos@barreiros.ifpe.edu.br

No ano de 2016, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) recebe 5.903 novos/as estudantes, que ingressam num dos 42 cursos técnicos e superiores através do último vestibular. São, em sua maioria, jovens de baixa renda, oriundos/as de escola pública, autodeclarados/as pardos/as, que não frequentaram cursinho pré-vestibular e, cujos pais e mães não cursaram ensino superior. Um perfil que aponta para segmentos sociais historicamente excluídos do acesso ao ensino público federal.

Segundo dados do questionário socioeconômico do vestibular 2016 da Instituição, em 71,28% dos casos, a renda familiar chega a, no máximo, dois salários mínimos e 32,64% dos/as ingressantes fazem parte do Programa Bolsa Família. Para a reitora Cláudia Sansil, a entrada das classes populares na instituição é reflexo do modelo adotado pelo Governo Federal, desde 2003, de democratização do acesso às Instituições de Ensino Superior (IES) e às antigas autarquias (Agrotécnicas e Cefets).

“Isso só é possível graças à sensibilidade de governos populares, que entendem a educação como bem público a ser oferecida a todos os brasileiros e brasileiras, como assegura a Constituição Federal. São políticas sociais, a exemplo da adoção das cotas, da criação da assistência estudantil, assegurada sem cortes, e da interiorização das unidades, que vêm assegurando a formação de jovens e adultos, numa linha crescente como nunca antes na história do Brasil”, avalia Sansil.

Exemplo disso é Walison Ramos, 22 anos, que vive no município de Belém de São Francisco, no Sertão Pernambucano. Ele dará um passo que seus pais não conseguiram: cursar o ensino superior.  Oriundo de escola pública, foi aprovado em primeiro lugar no curso de Licenciatura em Música no Campus Belo Jardim, a aproximadamente 300 Km de sua cidade natal. “Pesquisei muito e vi que o curso do IFPE é um dos melhores do estado. É uma conquista muito grande. Na minha família, as pessoas não tinham condições de estudar. Não fiz cursinho. Estudei sozinho, pegando dicas com alguns amigos. Meus pais estão muito felizes e me apoiando, porque eu já trabalho com música e vou fazer a licenciatura na área que eu gosto”, compartilha.

Assim como Walison, outras 517 pessoas (o equivalente a 8,77% dos/as ingressantes) precisarão mudar de cidade e contarão com auxílios estudantis oferecidos pelo IFPE para se manter durante o curso. Entre elas, está a adolescente Thayane Santos, 14 anos. Motivada a cursar um ensino médio de qualidade integrado a uma formação técnica, a garota passou em primeiro lugar no grupo de cotistas com renda maior que 1,5 salário mínimo, para o curso Técnico em Agropecuária do Campus Barreiros. Por isso, sairá da casa dos pais no município de Cortês, na Mata Sul pernambucana, e será uma das novas estudantes internas da Instituição. “No começo, eu achava isso um problema, mas os estudos e a perspectiva de um futuro melhor me fizeram mudar de ideia. Hoje, eu e meus pais estamos tranquilos em relação ao fato de eu ficar no alojamento do campus”, conta.

Para o sociólogo e professor do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Aristeu Portela, o perfil dos novos/as estudantes do IFPE desvela um cenário promissor de mudanças.

“Talvez esses dados possam nos autorizar a ter esperança quanto à ampliação do acesso à educação pública de nível superior e técnico. Eles mostram que a procura por uma educação pública de qualidade – e, no caso do IFPE, especificamente do ensino tecnológico com qualidade reconhecida nacionalmente – vem deixando, aos poucos, de ser uma reivindicação utópica, realizável apenas por uma parcela restrita da sociedade brasileira, para se tornar uma aspiração socialmente legítima e realizável, de concretização possível por aquelas e aqueles a quem essa educação foi, por tanto tempo, refratária”, analisa.