Você está aqui: Página Inicial > Imprensa > Banco de pautas > Projeto ajuda a melhorar a qualidade da água em Afogados da Ingazeira

Notícias

Projeto ajuda a melhorar a qualidade da água em Afogados da Ingazeira

A partir da identificação de que 70% da água que abastece a zona rural é contaminada, iniciativa busca conscientizar a população sobre formas de evitar contaminação
por publicado: 19/05/2016 15h39 última modificação: 19/05/2016 15h39

Como o conhecimento pode mudar a realidade de comunidades, melhorando sua qualidade de vida? Um pequeno grupo do IFPE Campus Afogados da Ingazeira, formado por dois professores e três estudantes do curso técnico de Saneamento, mostra que isso é possível.  Através de um projeto de extensão, eles identificaram um problema e apostaram na informação como forma de solucioná-lo.

Há cinco anos, Afogados sofre com a seca. Com os reservatórios localizados na zona rural da cidade vazios, o poder público municipal resolveu instalar poços tubulares, em parceria com o governo estadual, para contornar a situação. Foram perfurados 213, que passaram a atender 90% das comunidades do campo. A iniciativa permitiu que as famílias permanecessem em suas terras, onde vivem da agricultura familiar.

Por vir do subsolo, a água do poço estaria menos sujeita à contaminação do que a dos mananciais. Mas não foi o que aconteceu. No entanto, após a pesquisa realizada por estudantes e professores do campus em 13 poços que abastecem 297 famílias de comunidades rurais, foi constatado que a água estava contaminada por coliformes fecais e, por isso, imprópria para consumo humano.

O resultado surpreendeu os pesquisadores que se mobilizaram para entender as causas da contaminação. “Em 70% dos casos, a contaminação está associada à manipulação da água e à higienização dos reservatórios”, explica a professora Cícera Robstânia, orientadora do projeto.

Baseado nessa informação, o grupo decidiu voltar às comunidades onde coletaram as amostras para compartilhar conhecimentos que obtiveram em sala de aula. “Eles fizeram uma cartilha com todas as orientações. Desenvolveram do texto às ilustrações”, conta a docente.

O material foi distribuído durante reuniões que aconteceram em centros comunitários, casas de moradores e até na rua, na segunda etapa da ação. Tudo foi acompanhado também por agentes ligados à Secretaria Municipal de Saúde.

Entre as orientações, estão a manutenção do poço, limpeza do reservatório e a aplicação da dosagem correta do hipoclorito, um desinfetante para purificar a água, distribuído gratuitamente nas comunidades. “Muita gente não sabia o que fazer. As pessoas pegavam o hipoclorito para lavar roupa”, afirma o professor Maurício Pimenta, que também é orientador do projeto.

Após ação, a realidade das famílias mudou. “Os moradores cercaram os poços para evitar a aproximação dos animais e também cortaram a vegetação ao redor, que contribuía para a contaminação”, constata Robstânia. As mudanças são comemoradas pelo estudante, Leandro Almeida, integrante do projeto, que mora em Queimadas, uma das comunidades atendidas.

Desde cedo, ele e sua família enfrentam as dificuldades causadas pela falta de água. Ao ingressar no curso de Saneamento, aprendeu a valorizar ainda esse bem. “Hoje, os moradores já limpam o reservatório com frequência e adotam outros métodos que asseguram o bem-estar. A água tem impacto direto na saúde”, ressalta.

A enfermeira Keny Bezerra, que trabalha no Programa Saúde da Família (PSF) na comunidade de Queimadas, já nota uma redução nos casos de doenças. “Quando tratamos a água, prevenimos diarreia, cólera e verminoses que causam sangramento e desnutrição nas crianças. Consequentemente, diminuímos os gastos públicos. Tudo melhora”, conclui.

O prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota, sabe bem disso. “Infelizmente, as companhias de água não abastecem nossa zona rural. Não há interesse econômico. Por isso, tivemos que buscar soluções alternativas com a perfuração dos poços.  Através da parceria com o IFPE, construímos condições para que as famílias desfrutem da água potável”, ressalta. 

A ação conjunta entre o IFPE e o poder municipal deve continuar. A terceira fase do projeto será voltada para ações de conscientização na zona mais urbana da cidade. Serão feitas palestras para estudantes agentes de saúde, promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde.  

Além das conquistas para a comunidade, o estudante Leandro de Almeida destaca o aprendizado que obteve ao participar do projeto. “Contribuiu com minha formação acadêmica, com muito conhecimento. Tive mais prática em laboratório e passei a falar em público, nas palestras”. 

Já as estudantes Karen Cândido e Andressa Gama relatam como é gratificante fazer parte da experiência. “Chegar na comunidade e realizar algo que contribui de fato para a melhoria de vida das famílias é uma experiência significativa. Faz com que a gente cresça e amadureça. Ficamos mais próximas das pessoas”. Os professores, claro, ficam orgulhosos desses resultados. “A experiência contribui para a formação dos estudantes. Eles descobrem o poder que têm para mudar uma situação”, conta Pimenta, dando o exemplo do poder transformador da educação.