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IFPE firma acordo com a Comissão Pastoral da Terra

Acordo vai fortalecer a troca de saberes entre a Instituição e comunidades camponesas acompanhadas pela CPT
por publicado: 30/07/2020 18h06 última modificação: 30/07/2020 19h10

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) firmaram, nesta quinta (30), em reunião virtual, um acordo de cooperação técnica. Por meio desse acordo, serão desenvolvidas diversas ações que envolvem práticas educacionais, científicas e tecnológicas,  com objetivo de permitir a troca de saberes e conhecimentos entre o Instituto e as comunidades camponesas acompanhadas pela Pastoral no Sertão do Pajeú, no Agreste, na Zona da Mata e no Grande Recife, em Pernambuco. 

De acordo com André Luis Gonçalves, coordenador de Extensão Rural da Pró-Reitoria de Extensão (Proext) do IFPE, a parceria entre o Instituto e a CPT já vem ocorrendo desde 2018, por meio de atividades como os Seminários de Educação do Campo e Agroecologia, da divulgação e inscrição do Vestibular IFPE nas regiões atendidas pela CPT, do fortalecimento do trabalho com as sementes crioulas e até de um convênio para oferecer estágio regular aos estudantes do IFPE na cidade de Tracunhaém, Zona da Mata Norte.

André explica que o acordo de cooperação técnica vem a fortalecer e sistematizar essa relação já existente entre as partes. Segundo ele, serão promovidas mais ações, como a cessão de espaços nos campi do IFPE e nas comunidades acompanhadas pela CPT para o desenvolvimento de atividades educacionais; oferta de cursos diversos pelo Instituto nas áreas atendidas pela Pastoral; produção de pesquisa conjunta na área de educação do campo e da agroecologia, entre outras. "O mais importante disso é a prospecção e o trabalho conjunto visando à educação popular, do campo, tanto dentro das comunidades do CPT como também na comunidade acadêmica do IFPE", ressalta.

Denis Vensceslau, agente pastoral da CPT no Sertão do Pajeú, pontua que há uma grande ausência de políticas públicas voltadas para o campo como um lugar de vida, e que por anos muita gente achava que a escola não era necessária nesse espaço: "A escola tem que promover além da alfabetização, garantindo um convívio harmonioso com a natureza, com os seres que vivem lá. Esses saberes devem ser priorizados. Nossa luta não é só por terra, mas por educação". Camila Silva, também integrante da CPT, diz que essa educação, de fato, assim como a alimentação, é um ato político, que servem para emancipação da sociedade, para que se tenha uma realidade mais justa: "O IFPE tem esse papel de entrar no interior do estado e trazer a técnica, para que ela sirva como subsídio de transformação social. Essa lógica da educação técnica tem que estar a serviço da emancipação dos povos. Não é só para servir às indústrias, mas para servir às comunidades", reforça.

Para o agricultor Severino Rodrigues, da comunidade Nova Canaã, em Tracunhaém, essa troca de conhecimento com IFPE é muito valiosa: "A gente sabe da resistência de agricultores assentados na luta pela reforma agrária, pelo pão. Pra nós é de grande importância esse convênio. Estamos muito orgulhosos por esse momento e estamos de braços abertos em nossos assentamentos. Queremos receber os estudantes e professores para comer uma macaxeira plantada por nós. Precisamos trazer o Instituto para dentro da nossa comunidade para discutir, para aprender, trocar experiências".

O professor José Carlos Sá, Reitor do IFPE, enfatiza o caráter recíproco e inspirador dessa parceria: "Estamos plantando sementes para a construção de possibilidades. É uma troca e também uma construção do conhecimento. São pessoas que têm a contribuir com nossos processos e com a ciência. As palavras e contribuições trazidas neste momento nos ajudam a colocar em prática nossas metas e objetivos".