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Seminário do IFPE marca cooperação e força da Educação do Campo

Quase 2 mil inscritos participaram de debates sobre Agroecologia e Educação do Campo
por publicado: 12/09/2020 12h19 última modificação: 12/09/2020 12h19

Sob o tema - e o sentimento - da esperança, encerraram-se na tarde desta sexta-feira (11) o III Seminário de Agroecologia e o II Seminário de Educação do Campo do IFPE. A última mesa de debates teve como tema "Agroecologia e Educação do Campo: Estratégias para semear a Esperança".

"A gente precisa ter a perspectiva de que estamos enfrentando questões estruturais. Enfrentamentos que vieram antes de nós e que permanecerão. E que essa reflexão nos faça perceber qual é o nosso lugar no mundo hoje. Cada um de nós tem o papel no seu lugar. No contexto de hoje, estamos num mundo onde se disputam narrativas, as verdades são construídas. Nós temos que ter a clareza que nós que fazemos parte desse movimento que veio de antes de nós, que enfrentou situações mais adversas que nós. Nós somos portadores, construtores e construtoras de um projeto verdadeiramente de interesse público: a agroecologia, a educação do campo, o fortalecimento das lutas dos povos tradicionais, a garantia do direito da pessoa humana. Nós estamos ligados a esse projeto de interesse público e humanitário. Isso é o que nos move. É o grande alimento que a gente tem", trouxe em sua fala a professora Andréa Alice, do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Além de Andréa Alice, participaram da última mesa Jaime Amorim (dirigente nacional do MST), Thiago Xucuru (professor da UFPE), Márcia Crioula (educadora quilombola) e o mediador Alexsander Costa (professor do IFPE). Os educadores chamaram atenção para os espaços dos seminários como um dos modos de luta, cooperação e força.

"São tempos difíceis, mas que inspiram a nós alternativas. É um processo de resistência ativa. Não pode ser uma resistência só por resistir. Temos que estar sempre propondo coisas novas. Nós temos direito de lutar", ressaltou Jaime Amorim.

Os eventos ocorreram de forma virtual através do canal do Instituto no Youtube. Ao todo, foram quase 2 mil inscritos. As mesas de debates começaram na quarta-feira (09). Na manhã desta sexta-feira (11), o tema central foi "Educação do Campo na América Latina". O diálogo com outros países da América Latina, por sinal, foi uma das marcas dos Seminários que reuniram ainda professores, pesquisadores e educadores de países como Uruguai, Bolívia, México e Costa Rica.

"A gente vai poder sair fortalecido. Eu tenho certeza que esse Seminário está sendo um marco na historia acadêmica do IFPE, de todos os parceiros que se relacionam com o IFPE, de todos que se inscreveram no evento e acreditaram nas potencialidades dos debatedores", declarou a Pró-Reitora de Extensão do IFPE (Proext), Ana Patrícia Falcão, no encerramento do evento.

Os seminários foram, eminentemente, espaços de diálogos, com a participação de pesquisadores orgânicos, representantes das classes trabalhadoras, de movimentos quilombolas, indígenas, sem-terra, além de outros povos.

"Foi um encontro de saberes, encontro de povos. Encontro do estudante com o pajé, dos sem- terra com o professor universitário, do quilombola com o pescador, da marisqueira com o líder da classe trabalhadora. Fez com que a gente discutisse, dentro e fora do IFPE, a necessidade da organização e o fortalecimento da Educação do Campo, a Agroecologia, com uma agricultura sem veneno, que coloca na mesa das pessoas não só alimento, mas uma perspectiva social", avaliou o professor do IFPE Belo Jardim, André Luís Pereira, coordenador de Extensão Rural da Proext.

Desdobramentos dos eventos

Um dos encaminhamentos a partir dos Seminários é um acordo de cooperação técnica a ser desenvolvido entre IFPE e Universidade Nacional da Costa Rica. O IFPE pretende ainda fortalecer o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para que povos dos campos forneçam alimentos aos estudantes dos campi.

Segundo a Coordenação de Extensão Rural do IFPE, a instituição deve fortalecer os vestibulares nas terras quilombolas, indígenas e nos assentamentos e ocupações em todo o estado. Há ainda a previsão do lançamento de uma Pós-Graduação Intercultural, Indígena e Quilombola para o ano de 2021.

Todas as atividades dos Seminários foram gravadas. Os vídeos podem ser acessados no Canal do IFPE no Youtube. As transcrições dos debates devem ser compiladas em breve para a produção de um livro.