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A língua estrangeira como um caminho para a inclusão

Professora do IFPE desenvolve um curso de Língua Inglesa voltada para pessoas com Síndrome de Down
por publicado: 01/02/2017 16h55 última modificação: 01/02/2017 16h55

Aos 33 anos, Amanda Ferreira reserva as manhãs das quartas-feiras ao aprendizado da língua inglesa no Centro de Libras e Línguas Estrangeiras (Celle) do Campus Recife. Ela assiste às aulas como preparação para uma seleção de mestrado na área de Educação Especial voltada para a Inclusão. Amanda, que nasceu com a Síndrome de Down, está no caminho para a realização de seu sonho graças à iniciativa da professora Denise Barbosa, do IFPE, que criou um curso básico de inglês voltado para pessoas com a síndrome.

A ideia surgiu depois da experiência de Denise com mais de um ano lecionando inglês ao próprio sobrinho, que também tem a deficiência. Os resultados positivos observados pela professora a motivaram a criar um plano de aulas de inglês básico que posteriormente foi apresentado ao grupo Down Mais, formado por pais de pessoas especiais, e à coordenação do Celle. Após chamada pública feita no site do IFPE, o curso iniciou em abril deste ano com duas turmas – manhã e tarde -, e tem a expectativa de continuação em 2017.

Procurando desenvolver nos estudantes diferentes habilidades, como a escrita, escuta e conversação, a proposta central, segundo Denise, é trabalhar o inglês de maneira lúdica, com ênfase nas situações do cotidiano e a vivência dos alunos. “Além do conteúdo, estamos também preocupados em formar cidadãos e valorizar a autoestima”, disse.

A estudante Amanda Ferreira aprova os métodos usados pela professora, como a repetição de imagens e o uso de dispositivos digitais. “Com a repetição de imagens, eu estou superando minhas dificuldades, principalmente com a escrita”, conta Amanda. De acordo com Denise, é visível a satisfação dos alunos. “Eles sempre reportam a alegria de frequentar as aulas. As faltas são raras e todos participam ativamente”, avaliou.

Os pais aprovam a iniciativa e já comemoram os resultados. Para Catarina Ferreira, mãe de Amanda, o estudo da língua ajuda no desenvolvimento, oferecendo também mais oportunidades. “Nós estamos contentes porque nossos filhos estão interessados e aprendendo. Tenho percebido mudanças positivas, como o maior interesse pelo computador e a procura por assuntos relacionados ao inglês”, esclarece. 

A felicidade sentida por Catarina é compartilhada por Paulo Nazário, pai de Daniela Nazário, outra estudante do curso básico. “Daniela já tinha o interesse latente na língua. Agora, ela já consegue contar até 30, sabe falar as cores e chama atenção para as informações em inglês nas placas turísticas”, explica. Paulo também cita o aumento no grupo de amigos da filha como outro importante ganho, já que ajuda no processo de socialização. 

Além dos benefícios diretos para os alunos e suas famílias, o curso oferece oportunidade de aprendizado para demais estudantes dos cursos regulares do IFPE. Atualmente, Denise conta com o auxílio de cinco voluntários do segundo período do curso de Gestão em Turismo, além de duas alunas - uma voluntária e uma bolsista – do curso Técnico de Eletrotécnica.

Para a professora, o curso mostra que o Instituto está aberto para estudantes com diferentes perfis. “É um imenso prazer ter estas pessoas tão especiais ao meu lado construindo o próprio saber e vibrando a cada avanço. Por isso, a inclusão é um dever de toda a Instituição pública ou privada”, reforça.