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Focos de resistência

Projeto de extensão atua junto às comunidades quilombolas do município de Garanhuns, buscando o fortalecimento das raízes histórica e culturais
por publicado: 01/02/2017 16h29 última modificação: 01/02/2017 16h31

Há um certo tempo o conceito de resiliência vem transpondo horizontes e perpassando várias áreas do conhecimento. A capacidade de um indivíduo, instituição ou comunidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, conhecida por resiliência, tem circulado em estudos das mais diversas áreas como a psicologia, sociologia, administração e ecologia. Em Garanhuns, a força e a capacidade de resistente de comunidades quilombolas locais chamou a atenção da professora do IFPE, Ednéa Alcântara.

 A partir da experiência com comunidades de baixa renda no Recife, a docente desenvolve, atualmente, o projeto “Fortalecendo a resiliência das comunidades quilombolas em Garanhuns (PE)”, aprovado no último edital do Programa Institucional para a Concessão de Bolsas de Extensão (Pibex) do Instituto. O projeto tem como objetivo desenvolver ações diversas que contribuam com o fortalecimento das raízes culturais, estimule o amor à terra, os vínculos com o lugar e a preservação do meio ambiente.

 De acordo com a coordenadora do projeto, o potencial de resiliência dessas comunidades é bastante expressivo e foi observado desde o primeiro contato com seus representantes. “Eu vi o grande potencial de resiliência dessas comunidades e que precisávamos investigar com mais cuidado as bases em que essa resiliência estava estruturada. São comunidades de mais de 300, 400 anos que moram ali, gerações e gerações que ali permanecem e mantém suas raízes e me motivou a buscar saber: como se estruturam? Como se fortalecem e enfrentam as dificuldades para permanência tão forte de uma cultura? Daí o surgimento do projeto”, explica.

 A cidade de Garanhuns tem, hoje, seis comunidades quilombolas reconhecidas. Atualmente, o projeto está atuando em três delas: Castainho, Timbó e Estivas. Dentre as atividades já desenvolvidas está a ação intitulada “Dia no Quilombo” que reuniu estudantes e servidores do Campus Garanhuns, líderes comunitários e a população da comunidade para revitalização da praça e momentos de trocas de experiências entre os participantes da ação.

 Para Deborah Monteiro, extensionista colaboradora, a ação além de representar o início das atividades do projeto propiciou o surgimento da relação entre a IFPE e comunidade, o que ela avalia como primordial para ações de extensão. “Me interessei pelo projeto desde o momento que ouvi falar nele, mas o sentimento de que tudo dará certo e que alcançaremos os resultados esperados ficou muito mais forte depois da nossa vinda a comunidade e do retorno dado por eles”, avalia.

 O que para alguns poderia representar apenas a revitalização de um espaço, para a comunidade representa o envolvimento de todos em um projeto que busca perpetuar o patrimônio material e imaterial de sua história, como avalia Expedido Ferreira, líder comunitário do Timbó. “Foi maravilhosa a presença do IFPE aqui hoje. Não vamos parar por aqui. Esperamos que um dia eu ainda possa trazer meus netos, meus bisnetos e possa mostrar para eles a força de nossa comunidade, como conseguimos a nossa liberdade, nosso pedaço de chão. E até mesmo quando eu não estiver mais vivo que s meus possam estar nessa praça e continuem a contar a nossa história”, diz.

 O projeto continua em desenvolvimento e entra agora em fase de concretização com a criação de material educativo sobre as três comunidades. A proposta é que vídeos e cartilhas sejam elaborados e contribuam com divulgação da história de resiliência das comunidades quilombolas de Garanhuns.